A vereadora Sirana Bosonkian (PDT) gerou polêmica na 38ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Guarujá ao equiparar vítimas de feminicídio a agressores. Em seu discurso, feito na terça-feira (03/12), ela abordou casos recentes de feminicídios, mas suas declarações causaram forte repercussão negativa, principalmente nas redes sociais. Embora tenha se declarado contra os crimes, a parlamentar fez comentários que dividiram as opiniões entre os presentes. Isso resultou em um pedido de desculpas após a repercussão. Suas palavras geraram forte polêmica, levando a um desconforto entre os colegas. Após a repercussão negativa, a vereadora se viu obrigada a se retratar. O incidente gerou debates sobre a responsabilidade dos políticos ao abordar temas sensíveis.
Vereadora de SP causa polêmica ao equiparar vítimas de feminicídio a agressores; VEJA VÍDEO pic.twitter.com/fmmS9I0FXT
— O Matogrossense (@o_matogrossense) December 6, 2024
O controverso discurso da vereadora
Durante a sessão, a vereadora Sirana Bosonkian pediu ao presidente da Câmara um espaço para fazer um pronunciamento sobre o aumento da violência doméstica e feminicídios em Guarujá. Ela mencionou casos recentes de feminicídios de duas jovens na cidade, mas, em seguida, suas declarações geraram surpresa e desconforto.
Em uma parte do discurso, Sirana questionou: “Quem é o pior? A vereadora questionou: “Quem é o mais doente… ele que bate ou ela que aceita a agressão e não faz nada?” Em seguida, perguntou: “O que faz uma mulher gostar de uma coisa dessas?” Muitos interpretaram suas declarações como uma tentativa de culpar a vítima. Além disso, a falta de foco no agressor gerou críticas entre os presentes. Muitas pessoas consideraram suas palavras insensíveis e prejudiciais ao debate sobre violência doméstica. O impacto negativo de suas falas destacou a necessidade de mais empatia ao abordar o tema. Essa abordagem contradiz os princípios de apoio e solidariedade necessários para as vítimas de violência doméstica. Sua fala gerou críticas por desconsiderar o contexto de violência emocional e física enfrentado pelas vítimas.
Ativistas e movimentos sociais criticaram prontamente a declaração, alegando que a vereadora minimizou a gravidade da violência doméstica e a responsabilidade dos agressores, sugerindo que as vítimas seriam responsáveis pela violência que sofrem.
Repercussão nas redes sociais
As palavras de Sirana Bosonkian rapidamente repercutiram nas redes sociais, gerando uma onda de críticas. Diversos internautas e organizações que lutam contra a violência doméstica e o feminicídio se manifestaram, repudiando as declarações da parlamentar. A principal crítica focou no fato de que suas palavras estigmatizam as vítimas e ignoram o contexto de controle e coação emocional que muitas mulheres enfrentam em relacionamentos abusivos.
Para muitos, a frase “ela que aceita a agressão e não faz nada” passou a mensagem equivocada de que a culpa pela violência seria da mulher que não denuncia o agressor, em vez de responsabilizar o agressor por suas ações criminosas.
A retratação da vereadora
Após o grande tumulto causado por suas palavras, a vereadora Sirana Bosonkian publicou um vídeo em sua conta no Instagram, onde se desculpou pelas declarações. Em seu pedido de desculpas, ela afirmou: “Quero pedir desculpas às famílias das vítimas e a todos que se sentiram ofendidos. Não quis ofender, não estou entendendo toda essa manifestação. Talvez tenham faltado palavras no meio do discurso.”
A vereadora tentou se retratar, mas a repercussão negativa persiste. Dessa maneira, muitos afirmam que suas desculpas não conseguiram corrigir os danos causados por suas falas.
A importância da sensibilidade no combate à violência doméstica
Assim, o episódio gerado pelas declarações de Sirana Bosonkian destaca a necessidade de uma abordagem sensível e responsável ao tratar da violência doméstica e dos feminicídios. Por isso, atitudes que culpabilizam as vítimas apenas perpetuam o ciclo de violência, descreditando os esforços para educar a sociedade sobre a gravidade desses crimes e a importância de apoiar as vítimas.
Dessa forma, vítimas de violência doméstica muitas vezes enfrentam uma série de barreiras psicológicas, sociais e econômicas que dificultam o processo de denúncia. Portanto, ao invés de questionar o comportamento das vítimas, é fundamental que as autoridades e líderes comunitários ofereçam apoio, informação e recursos para ajudar as mulheres a saírem dessas situações.

