Caso em São Paulo escancara precariedade no trabalho por aplicativos e as estratégias para driblar expulsões da plataforma
Durante semanas de apuração com entregadores na cidade de São Paulo, foi encontrado histórias que revelam a dura realidade por trás da aparente agilidade do delivery. Um dos casos mais marcantes envolve José (nome fictício), que trabalha informalmente no iFood usando a conta do irmão — cadastrada como entregador de bicicleta — enquanto realiza entregas com uma motocicleta, mesmo sem possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Expulso do aplicativo há seis anos, José pede uma segunda chance
O iFood baniu José da plataforma há mais de seis anos por infrações que a empresa considera gravíssimas. Desde então, ele tenta voltar, mas não consegue reativar sua conta. “Peço uma segunda chance, mas nunca me dão. Hoje, sobrevivo com a conta dos outros porque não posso ter a minha”, contou à reportagem.
Sem emprego formal e com três filhas pequenas para sustentar, José afirma que recorreu a esse método como último recurso. Ele tem antecedentes criminais por envolvimento com drogas, embora diga ter sido preso injustamente. A plataforma, por sua vez, mantém rígidos protocolos de segurança, inclusive com reconhecimento facial, para evitar fraudes.
Entregadores burlam sistema para continuar trabalhando
Para driblar a checagem do app, José vai até o irmão sempre que o aplicativo exige o reconhecimento facial. A prática, embora irregular, é comum entre entregadores que foram banidos por falhas como uso de documentos falsos, adulteração de GPS, agressões ou abandono de entregas.
Outros profissionais relataram que chegaram a mandar e-mails diretamente para executivos do iFood, implorando por uma nova chance — quase sempre sem retorno.
Perguntas e Respostas
Perguntas frequentes
O aplicativo o baniu há seis anos por uma infração considerada grave. Desde então, ele não conseguiu recuperar o acesso.
Ele utiliza a conta do irmão, cadastrada como entregador de bicicleta, mesmo realizando as entregas com moto e sem CNH.
Não. A plataforma considera isso uma fraude e aplica medidas como bloqueio e reconhecimento facial para evitar o uso indevido de contas.
O caso escancara a precariedade do trabalho por aplicativos e como muitos entregadores ultrapassam limites legais para sobreviver diante da falta de oportunidades formais.


