A presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha, afirmou que uma sequência de condutas antidemocráticas abriu caminho para os ataques registrados em 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (21), a ministra declarou que os episódios não surgiram de forma repentina. Segundo ela, a sociedade e as instituições permitiram o avanço de comportamentos que afrontavam a democracia. Além disso, Maria Elizabeth avaliou que a falta de reação diante de determinadas atitudes contribuiu para o agravamento do cenário político.

Ministra aponta escalada de comportamentos
Durante a entrevista, a presidente do STM afirmou que discursos e ações contrários à ordem democrática ganharam espaço ao longo dos anos. Na avaliação dela, autoridades e setores da sociedade aceitaram situações que deveriam ter recebido maior atenção. Por isso, o ambiente político tornou-se cada vez mais polarizado. Além disso, a ministra destacou que esse processo criou condições para o avanço de manifestações mais radicais. “Chegou-se ao 8 de Janeiro porque fomos deixando passar, tolerou-se o que era intolerável”, declarou. Segundo Maria Elizabeth, compreender os acontecimentos anteriores ajuda a explicar como o país chegou ao episódio que resultou na invasão das sedes dos Três Poderes.
Debate permanece em destaque
Os atos de 8 de janeiro continuam no centro das discussões políticas e jurídicas do país. Além disso, investigações relacionadas ao caso seguem em andamento. Órgãos de controle e tribunais ainda analisam responsabilidades e desdobramentos do episódio. Enquanto isso, representantes dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário discutem medidas para fortalecer as instituições democráticas. Para a presidente do STM, o país precisa manter atenção constante diante de ameaças à democracia. Ela defende que a sociedade não normalize comportamentos que contrariem os princípios democráticos. Por fim, Maria Elizabeth reforçou que os ataques de 8 de janeiro resultaram de um processo gradual. Segundo a ministra, a tolerância a determinadas condutas contribuiu para a escalada que culminou nos atos registrados em Brasília.

