A defesa pública de uma instituição privada interditada por manter idosos em condições consideradas desumanas provocou repercussão durante sessão na Câmara Municipal. Menos de uma semana após a ação da prefeitura, uA vereadora Dra. Luciana Horta utilizou a tribuna para defender a continuidade das atividades do local, argumentando que os idosos gostavam do ambiente.
Entretanto, a interdição não ocorreu por decisão administrativa isolada. A 1ª Vara Cível determinou o afastamento do administrador e a transferência da gestão para o Município após ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O processo aponta uma série de irregularidades consideradas graves pelas autoridades.
O que motivou a intervenção
Segundo informações constantes na ação judicial, a instituição apresentava condições de abandono e insalubridade. Além disso, equipes identificaram um surto de escabiose, medicamentos vencidos e falhas na administração dos remédios aos moradores.
O processo também relata a existência de um idoso em estado grave de saúde. Diante desse cenário, a Justiça determinou medidas para garantir a proteção e a assistência adequada aos residentes.
Relatos contrastam com discurso apresentado
Enquanto a vereadora sustentou que os idosos apreciavam permanecer no local, profissionais que participaram da intervenção relataram uma realidade diferente.
De acordo com os relatos, alguns idosos demonstraram emoção ao serem informados de que deixariam a instituição. Também houve registros de moradores que choravam por medo do momento do banho devido à temperatura extremamente fria da água utilizada no local.
Os depoimentos apresentados pela equipe reforçaram as preocupações que levaram à atuação dos órgãos responsáveis e à decisão judicial.
Carta enviada às famílias vira alvo de críticas
Outro ponto abordado durante o debate foi uma carta encaminhada pelo Município às famílias dos idosos. O documento informava a situação encontrada na instituição e solicitava que os parentes buscassem os residentes no local.
A vereadora questionou a iniciativa, concentrando parte de suas críticas na comunicação enviada aos familiares. A manifestação gerou questionamentos, já que a discussão ocorreu em meio às denúncias de abandono, problemas sanitários e condições inadequadas de atendimento.
O episódio ampliou o debate sobre a responsabilidade do poder público, das famílias e dos responsáveis por instituições de acolhimento de idosos. Enquanto a Justiça determinou a intervenção para proteger os residentes, o caso segue repercutindo pela divergência entre os relatos apresentados pelas equipes de fiscalização e a defesa feita da instituição.

